Oscar 2017

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por Pedro Cunha

     É chegada a hora! Os smokings alugados, os vestidos lindos (e nem tanto) pendurados nos cabides… A festa da indústria do cinema norte-americano vai acontecer no próximo domingo! E como também é tradicional, não poderíamos deixar de dar os nossos palpites anuais…

#OscarNotSoWhite

     Em 2016 a Academia e o Oscar sofreram uma avalanche de críticas em virtude do esquecimento de atores, diretores, produtores, roteiristas e quaisquer coisas negros. A hashtag #OscarSoWhite refletia a falta de representatividade na premiação, que de forma alguma foi causada pela “ausência de bons trabalhos com negros”, como alguns chegaram a querer insinuar. “Straight Outta Compton”, por exemplo, foi lembrado apenas na categoria de Roteiro (e os roteiristas eram dos poucos brancos da produção). “Creed: Nascido Para Lutar” (Creed, 2015) recebeu apenas a indicação de Sylvester Stallone para Melhor Ator Coadjuvante, sendo esnobado nas categorias Filme, Diretor (Ryan Coogler), Ator (Michael B. Jordan) e Atriz (Tessa Thompson). A Academia acolheu as críticas e anunciou algumas mudanças nas regras, visando uma representatividade maior para um futuro próximo. Se foi ou não resultado desse “puxão de orelhas”, fato é que o Oscar 2017 vem muito, mas muito mais bem representativo na questão racial do que no ano anterior. Dentre os indicados na categoria Melhor Filme, “Moonlight: Sob a Luz do Luar” (Moonlight, Barry Jenkins, 2016); “Um Limite Entre Nós” (Fences, Denzel Washington, 2016) e “Estrelas Além do Tempo” (Hidden Figures, Theodore Melfi, 2016) são dirigidos por negros e contam histórias protagonizadas por negros. Há negros indicados em todas as categorias de atuação. Pela primeira vez, em uma delas, há três (Octavia Spencer, Naomi Harris e Viola Davis, como Melhor Atriz Coadjuvante). Há um negro indicado a Melhor Diretor (Barry Jenkins). Pela primeira vez há um negro indicado na categoria Melhor Fotografia (Bradford Young por “A Chegada” (Arrival, Denis Villeneuve, 2016)). Definitivamente esse ano houve uma atenção maior nas escolhas.

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Chris Rock, que não foi bem em 2016

     A apresentação da cerimônia ficará a cargo do comediante Jimmy Kimmel, que tem a missão (não tão difícil) de fazer um trabalho melhor do que a confusa performance de Chris Rock ano passado. Enfim, saudades da Ellen, a melhor apresentadora disparada do Oscar nos últimos anos.

     Antes de começar os palpites (e chutes) vale lembrar alguns detalhes: o Oscar não é um festival particularmente lembrado por critérios artísticos. Ele é uma celebração da indústria do entretenimento e portanto nem sempre os melhores filmes vencem. É diferente de festivais como Cannes, Berlim ou Veneza, onde há uma curadoria artística mais cuidadosa e um júri mais qualificado. O Oscar é um festão mesmo, onde Hollywood celebra Hollywood e o cinema em língua inglesa (e olhe lá) com uma exceção patinho feio que é o Melhor Filme em Língua Estrangiera.

A partir daí, vamos aos nossos palpites:

MELHOR FILME

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Damian Chazelle, Ryan Gosling e Emma Stone homenageiam Hollywood, Los Angeles e os antigos musicais

Indicados: “A Chegada” (Arrival, Denis Villeneuve, 2016), “Um Limite Entre Nós” (Fences, Denzel Washington, 2016), “Até o Último Homem” (Hacksaw Ridge, Mel Gibson, 2016), “A Qualquer Custo” (Hell or High Water, David Mackenzie, 2016), “Lion – A Longa Estrada Para Casa” (Lion, Garth Davis, 2016), “Manchester à Beira Mar” (Manchester by the Sea, Kenneth Lonergan, 2016), “La La Land – Cantando Estações” (La La Land, Damien Chazelle, 2016), “Estrelas Além do Tempo” (Hidden Figures, Theodore Melfi, 2016).

     Ano passado a vitória de “Spotlight” surpreendeu a todos. Esse ano, no andar da carruagem, surpresa será se “La La Land” não ganhar. Chazelle, que já fez o ótimo “”Whiplash” (2014), produziu um musical que homenageia o cinema e os musicais antigos, temas que são caríssimos aos membros da Academia. Como se não bastasse, seu filme ainda é uma homenagem a cidade de Los Angeles, onde moram a grande maioria dos membros votantes da Academia. Contar no elenco com Ryan Gosling e Emma Stone, dois dos atores mais “queridinhos” do momento, também ajuda. O filme de Chazelle ganhou um caminhão de Globos de Ouro e, bem mais importante, foi bastante premiado nas festas dos Produtores, Diretores, Atores e Roteiristas (as famosas “Guildas”, que são um termômetro bem mais acurado que o Globo de Ouro.

     Eu não ficaria triste (bem pelo contrário) se “A Chegada” surpreendesse e saísse com a estatueta. “Moonlight”, bastante elogiado pelos críticos, corre por fora bem como “Manchester à Beira Mar”, que perdeu força no final da corrida. Ainda assim a estatueta deve ficar com La La Land.

MELHOR DIRETOR

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Damien Chazelle indica onde Emma Stone deve servir o frapuccino

Indicados: Damien Chazelle (por La La Land), Mel Gibson (por Até o Último Homem), Barry Jenkins (por Moonlight), Denis Villeneuve (por A Chegada) e Kenneth Lonergan (por Manchester à Beira-Mar.

     Tradicionalmente essa categoria casa com a de melhor filme. TRADICIONALMENTE, eu disse, nem sempre. Ainda assim, deve ocorrer esse ano e o prêmio deve ficar com Chazelle. Podemos saudar a (justa) indicação de Villeneuve, que fez um filme primoroso de Ficção Científica, gênero que a Academia tradicionalmente relega a um segundo plano. “Até o Último Homem” talvez seja o melhor trabalho de Gibson, que mostra ser um diretor seguro e que sabe o que faz quando suas convicções religiosas não se misturam ao seu trabalho.

     As chances de Jenkins e Lonergan são as mesmas de seus filmes (que não são muitas).

MELHOR ATRIZ

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Ainda acho que Huppert vai ganhar. Mas escolhi uma foto de Natalie Portman porque sim.

Indicadas: Ruth Negga (por “Loving” (Jeff Nichols, 2016)), Emma Stone (por La La Land), Isabelle Huppert (por “Elle” (Paul Verhoeven, 2016), Meryl Streep (por “Florence – Quem É Essa Mulher” (Florence Foster Jenkins, Stephen Frears, 2016) e Natalie Portman (por “Jackie” (Pablo Larraín, 2016).

     A favorita da categoria, já há algum tempo, é Isabelle Huppert. A veterana francesa do excelente “Amor”, de Michel Hanecke, é o centro de “Elle”, que foi o escolhido pela França para concorrer a Melhor Filme em Língua Estrangeira e a sua performance é o que há de melhor no filme. Natalie Portman é considerada a melhor atriz de sua geração e já tem um Oscar em sua prateleira. Há quem diga que a sua Jackie Kennedy é o papel de sua vida.

     Um componente político importante pode interferir nessa categoria. A recente rusga pública de Meryl Streep com o presidente Trump pode ser suficiente para que haja uma premiação política na categoria? Alguns acreditam que sim. Só domingo para sabermos.

MELHOR ATOR

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“Denzel, meu velho, você vai levar mais essa!”

“Eu sei!”

     Indicados: Casey Affleck (por Manchester à Beira-Mar), Andrew Garfield (por Até o Último Homem), Denzel Washington (por Um Limite Entre Nós), Ryan Gosling (por La La Land) e Viggo Mortensen (por “Capitão Fantástico” (Captain Fantastic, Matt Ross, 2016).

     É uma categoria bem disputada. Casey Affleck venceu quase todos os prêmios da temporada e é um jovem talento. Denzel Washington, porém, é um nome consagrado e venceu o prêmio mais importante da temporada, o troféu de Melhor Ator Principal do Screen Actors Guild Awards. Obrigado a chutar, acho que o prêmio vai para Denzel, esse ano. Uma surpresa seria Gosling, que é muito querido no meio e que pode ser ajudado no caso de La La Land ter aquele efeito furacão e levar uma quantidade enorme de prêmios.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

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“Viola, querida, nós dois ganhamos o Tony por essa história e vamos ganhar o Oscar!”

“Eu sei!”

Indicadas: Viola Davis (por Um Limite Entre Nós), Michelle Williams (por Manchester à Beira-Mar), Naomi Harris (por Moonlight), Nicole Kidman (por Lion) e Octavia Spencer (por Estrelas Além do Tempo).

     Viola Davis é a primeira mulher negra a ser indicada três vezes a um Oscar de atuação e será grande a surpresa se não sair da festa no domingo carregando sua segunda estatueta. Venceu os principais prêmios da temporada, inclusive o SAG Awards. Michelle Williams já esteve mais cotada, mas perdeu força junto com “Manchester à Beira-Mar”. Nicole Kidman, depois de algum tempo de mais baixos do que altos, volta a ter uma grande atuação. Ainda assim, acho que a única que pode tirar o prêmio de Davis é Octavia Spencer, que além de ter entregado uma atuação maravilhosa em “Estrelas Além do Tempo” tem um carisma único e é extremamente querida pelos seus colegas de trabalho.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

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Roteiro Original pode ser o prêmio de consolação de “Manchester à Beira Mar”

Indicados: “Mulheres do Século 20” (20th Century Women, Mike Mills, 2016), “O Lagosta” (The Lobster, Yorgos Lanthimos, 2016), “La La Land”, “Manchester à Beira-Mar”, “A Qualquer Custo”.

     Nessa categoria pode vir o prêmio de consolação de “Manchester à Beira-Mar” ou mais um de consagração para “La La Land”. Acho que não escapa desses dois, nessa lógica. Conta a favor de Lonergan já contar com duas indicações no currículo (Conte Comigo, em 2001 e Gangues de Nova Iorque, em 2003), contra a primeira de Chazelle. Conta a favor de Chazelle o “efeito manada” que os prêmios principais (Melhor Filme e Melhor Diretor) costumam provocar.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

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Amy Adams (que poderia muito bem ter sido indicada) tenta conversar com os simpáticos heptápodes

Indicados: Lion – Uma Jornada Para Casa, Um Limite Entre Nós, Estrelas Além do Tempo, A Chegada e Moonlight – Sob a Luz do Luar.

     Coração e razão num conflito forte, aqui. O coração quer MUITO que A Chegada vença, porque o filme merece todos os prêmios e mais alguns. A razão indica que dificilmente a estatueta careca escapará de “Moonlight”, que apesar de conceituadíssimo pela crítica não deve figurar em outras categorias.

Um comentário sobre “Oscar 2017

  1. Grande Pedro!
    Como sempre, uma baita análise dos concorrentes! Adorei as legendas das fotos, Hehehehe!
    E vamos lá, é hoje a grande noite!
    Um abraço!

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