O pós-hardcore do Dead Cross

DeadCross-Debut

por Cassiano Rodka

Mike Patton sempre surpreende. Depois de uma sequência de composições para trilhas sonoras e discos orquestrados de agradar até a sua mãe, surgiu a notícia de que Patton se aventuraria em uma banda de hardcore. O grupo em questão é o Dead Cross, formado pelo baterista Dave Lombardo, do Slayer, o guitarrista Michael Crain e o baixista Justin Pearson, ambos membros do Retox. Depois de excursionar um tempo com o vocalista Gabe Serbian, do Locust, a banda anunciou que haveria uma mudança na formação. Os vocais ficariam por conta de Mike Patton, parceiro de Lombardo no Fantômas.

É fácil afirmar que a entrada do cantor adicionou cores completamente diferentes às músicas. No YouTube é possível ver alguns shows com o vocalista antigo e ele não chega nem perto dos arranjos de vozes de Patton. E foi esse ingrediente que transformou o hardcore básico do Dead Cross em um pós-hardcore, com melodias mais trabalhadas e uma pegada mais experimental. Nem por isso menos agressivo.

DeadCross-Band

O primeiro disco da banda está sendo lançado neste mês de agosto e é uma deliciosa pedrada de 28 minutos. As letras parecem focar em uma preocupação com o estado atual do mundo, com críticas ao crescente conservadorismo e a guerras religiosas. Com produção de Ross Robinson, conhecido por gravar discos com a galera do nu metal (Korn, Slipknot e Limp Bizkit), “Dead Cross” é um poderoso cartão de visitas. A turnê de divulgação terá início nos EUA a partir de 10 de agosto e promete ser um trator sonoro. Nada marcado ainda para a América do Sul, mas, considerando a quantidade de público que Patton tem por aqui, a possibilidade é imensa. Eu apostaria em shows no final deste ano. Mas vamos ver.

A faixa de abertura,”Seizure and Desist”, foi a primeira a ganhar um vídeo. Nada sutil, o clipe animado mostra a cara de Donald Trump derretendo, padres virando insetos, pessoas sendo serradas ao meio, bombas e esqueletos.

Os vocais com muitas camadas me lembraram um pouco a forma de Patton compor para o Tomahawk, mas a grande diferença aqui é o como esse approach contrasta com o instrumental agressivo e direto ao ponto dos músicos. O vocalista adiciona elementos não comuns ao hardcore, como backing vocals, coros, palmas, sussurros, onomatopeias e até o som de um beijo ao final da porrada de “Grave Slave”. O álbum conta ainda com uma cover de um clássico do rock gótico, “Bela Lugosi’s Dead”, do Bauhaus, em versão mais pesada e sucinta – a original tem mais de 9 minutos.

Outra faixa que ganhou recentemente um clipe foi a excelente “Obedience School”, mostrando imagens em preto e branco de rinhas de galo. Agressiva e com um belo coro de vozes no final, a música é um bom exemplo do que a banda tem de melhor a oferecer.

Confesso que o álbum me conquistou muito mais do que eu esperava. Achei que seria um bom disco de hardcore, mas os caras realmente conseguiram ir além e compor um trabalho muito interessante e que merece diversas ouvidas. Se você gosta de peso com criatividade, pode apostar tranquilo no Dead Cross.

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