Os (meus) melhores de 2017

Antes que encerre janeiro e a gente se atire de cabeça na reta final da temporada de premiações, ainda dá tempo (dá, né?) de recapitular os melhores de 2017. Foi um ano onde eu não vi tudo que gostaria, mas que muita coisa boa esteve em cartaz por aqui…

Até O Último Homem (Hacksaw Ridge, Mel Gibson, 2016)

919jm7o2yxl-_sy445_

                O filme conta a história real de Desmond Doss, o pacifista que serviu na Segunda Guerra Mundial e foi condecorado por bravura mesmo sem nunca ter segurado uma arma na mão. Andrew Garfield, que sempre é um rapaz simpático, faz o papel de rapaz simpático de quem é difícil de não gostar e ajuda a levar o filme. Hugo Weaving, no papel de pai do rapaz, também está muito bem. O que poderia ser muito bem apenas mais um filme biográfico de homenagem torna-se, em sua metade final, uma AULA de cinema. A indicação de Mel Gibson ao Oscar de Melhor Diretor poderia se justificar só pelas maravilhosas cenas bélicas que ele constrói, que são bonitas como há muito não se via nos filmes de guerra. A precisão dos cortes, o uso das cores, da luz e do som está perfeito, tudo se misturando e construindo uma quantidade absurda de frames que poderiam ser enquadrados. Só isso já valeria o filme, mas definitivamente Gibson sabe contar e conduzir uma história. Para mim, “Até O Último Homem” foi uma grata surpresa.

La La Land (Damien Chazelle, 2016)

la_la_land_ver3

                O jovem diretor e roteirista de “Whiplash” (2014) mais uma vez fez um filme sobre música, numa abordagem completamente diferente. “La La Land” é uma homenagem ao cinema e uma releitura deliciosa dos musicais antigos. O filme também é uma declaração de amor à cidade de Los Angeles, que é uma das protagonistas do filme. A relação entre Sebastian (Ryan Gosling) e Mia (Emma Stone) é uma parábola sobre o amor entre a música e o cinema, que começa de forma inusitada, cresce e se torna rica e fértil até ficar monótona e repetitiva. A belíssima canção “City of Stars” acompanha a história dos personagens, em suas várias leituras e diferentes interpretações. “La La Land” homenageia os musicais antigos (e vários números musicais do filme são homenagens e referências muito claras) e se pretende, pretensiosamente, o último musical: ele é, na verdade, uma elegia. As luzes e cores do diretor ressaltam um design de produção impecável para um filme esteticamente muito bonito e agradável.

                “La La Land”, além disso, me tocou de forma particular em função do momento da minha vida onde o filme me pegou. “City of Stars” está, definitivamente, na trilha sonora da minha vida.

Logan (James Mangold, 2017)

363613

                A despedida de Hugh Jackman do icônico Wolverine não poderia ter sido em melhor estilo. O ator australiano viveu o carcaju em oito filmes antes desse e, segundo os fãs, só no nono filme nós vimos o Wolverine de verdade. O road movie de James Mangold (Garota, Interrompida, 1999) nos mostra um Logan já velho, com menos poderes e lidando com culpa e remorso em grandes quantidades. O moribundo Professor Xavier (Patrick Stewart, numa performance maravilhosa) encarrega-se de ajudar Logan a encontrar sentido na vida salvando e guiando a jovem Laura (Dafne Keen), em quem ambos enxergam muito do próprio Wolverine jovem.

                Optei por “Logan” mas fiquei com o coração partido para não por “Mulher Maravilha” (Wonder Woman, Patty Jenkins, 2017) e até Liga da Justiça (Justice League, Zack Snyder e Joss Whedon, 2017). “Mulher Maravilha” se tornou uma das três grandes bilheterias do ano e uma das maiores de filme de origem, provando que um filme sobre uma heroína (e dirigido por uma mulher) pode ter, sim, a rentabilidade que os estúdios procuram. Além deles, A Marvel fez bons filmes (apesar de um pouco repetitivos) com “Guardiões da Galáxia vol2” (Guardians of The Galaxy vol 2, James Gunn, 2017) e “Thor: Ragnarok” (Taka Waititi, 2017), dois filmes leves e divertidos no melhor estilho Sessão da Tarde.

Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi, Rian Johnson, 2017)

star-wars-os-ultimos-jedi-760x1126

                Esperamos dois anos para ver o que o Luke ia fazer com o sabre de luz levado pela Rey. Rimos e choramos com os personagens de nossas infâncias e com os nossos novos heróis. O filme trouxe despedidas: Carrie Fisher, a princesa que virou general. Luke Skywalker, o Jedi que entendeu que era mais útil como lenda do que como guerreiro. O diretor e roteirista Johnson deixou de lado alguns dos muitos caminhos abertos por JJ Abrahms no longa anterior e nos deu um lindo filme sobre fracassos. Conseguiu dar profundidade para Kylo Ren (o maior problema do filme anterior) e nos fez torcer desesperadamente por planos que… deram errado. “Os Últimos Jedi” aponta corajosamente para o futuro ao mesmo tempo em que trata com muito carinho e respeito o passado. Star Wars está vivo, e muito vivo.

Mãe! (Mother!, Darren Aronofsky, 2017)

                Muita gente odiou. Muita gente não conseguiu assistir até o final. Mas o fato é que nenhum filme em 2017 causou reações tão fortes quanto o thriller de Aronofsky. O filme é uma parábola bíblica. O filme trata sobre obsessão. O filme fala sobre relacionamentos abusivos. O filme fala sobre criação artística. O filme fala sobre tudo isso (e sobre várias outras coisas também). O filme é pretensioso. E a resposta para todas essas perguntas é “sim!”. Jennifer Lawrence carrega o filme inteiro na melhor atuação de sua carreira, em um filme que é experimental em vários momentos e tem trabalhos de fotografia e som maravilhosos. Javier Barden faz um Deus egoísta, vaidoso e autocentrado, que consegue ao mesmo tempo nos fazer adorá-lo e ter raiva dele.  Ed Harris e Michelle Pfeiffer completam o elenco como Adão e Eva, sem deixar a peteca cair nunca. “Mãe!” mobilizou paixões e ódios na mesma medida e apesar de ter sido esnobado nas indicações ao Oscar, vale a pena ser visto e revisto.

Enfim, teve muita coisa boa que não entrou nessa minha lista de destaques. “Moonlight” mereceu ganhar o Oscar e é um filme lindo. “Manchester à Beira Mar”, apesar da polêmica envolvendo Casey Affleck, vale a pena ser visto. “Capitão Fantástico” vai ser daqueles filmes que ficam, como “Na Natureza Selvagem”. “Estrelas Além do Tempo” conta uma história necessária de uma maneira muito bacana. Já falei em “Mulher Maravilha”, mas se você ainda não foi atrás, vá que vale a pena! E o cinema nacional, apesar das bombas como “Polícia Federal” e “Real – O Plano por Trás da História” e da enxurrada de filmes de youtubers continua fazendo coisas bacanas como “Bingo – O Rei das Manhãs”, “Como Nossos Pais”, “Corpo Elétrico” ou “O Filme da Minha Vida”. Tem muita coisa boa de 2017 para ser visto, ainda bem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s