Literatura

Mãos do tempo

Mãos do tempo_other_P2
imagem: Cassiano Rodka

Mais um para a Angelina e para a Marx, as maiores incentivadoras do meu retorno à criação literária, para as quais sempre tenho e sempre terei tempo.

O tempo da literatura não é como este, da vida.
Há que se ter tempo para os caprichos do tempo literário.
Necessário entender suas manhas,
suas marras (e amarras).
E mimos, e dengos.
Estou há tempos para escrever meu poema mais dengoso.
Ele fica aqui em mim, resmungando, choramingando…
Gritando, por vezes, e agitando suas palavras de modo ansioso.
E eu penso, “te aquieta, mas que chatice…!”.
Ele não desiste, porém. Ele quer sair, quer olhar de perto o mundo dos “outros” (o dos leitores, claro).
Quer desabitar sua mãe, que, bem, sou eu.
Sou uma mãe ciumenta. Cuidadosa, prestimosa. Carinhosa em excesso. Tenho medo dos desatinos do mundo.
Tento nunca desafinar.
Mas, como toda mãe, também falho.
E mesmo com todo o meu zelo, vejam só: o danadinho acaba de fugir do meu ser, às nove e meia da noite de uma quarta-feira qualquer…

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