Teu nome há de ecoar: a banda El Efecto faz um faixa a faixa do disco Memórias do Fogo

ElEfecto-PromoMemorias

por Cassiano Rodka

Em uma época em que as pessoas parecem não lembrar da sombra sob a qual o nosso país já viveu, o novo álbum do El Efecto surge como uma luz guia.

Nas letras de Memórias do Fogo, a banda carioca urge para que não esqueçamos de todo o mal pelo o qual o povo brasileiro passou – e segue passando. Ditadura, exploração, escravidão, preconceito, as canções parecem gritar para que os mais desavisados recordem de todos os erros do passado (e do presente) para que, quem sabe, possamos acertar o passo em direção a um melhor futuro.

O vocalista Tomás Rosati preparou para o PáginaDois um faixa a faixa do novo álbum da banda, cuja turnê inicia nesta quinta-feira, dia 29 de março, no SESC Pompeia em São Paulo. Os ingressos podem ser comprados aqui: https://www.sescsp.org.br/programacao/148239_EL+EFECTO

Outras datas confirmadas:
14/04 – Teatro Rival, no Rio de Janeiro
11/05 – Rockers, em Santa Maria
12/05 – Bar Opinião, em Porto Alegre

MEMÓRIAS DO FOGO – faixa a faixa

Café

A ideia da letra partiu da leitura do poema “Moça feliz”, de Cassiano Ricardo. Na música, em vez da “moça”, optamos por um “casal feliz”.
A parte musical surgiu a partir da descoberta e do encantamento com o Joropo, gênero venezuelano/colombiano. Depois, na construção da música, tentamos mergulhar no universo das canções de luta latino-americanas.
Chamamos a Daíra pra compor junto com o Tomás, a voz do “casal feliz”. Também contamos com a parceria do compositor russo Tchaikovsky, que chegou junto com algumas melodias bem legais, enriquecendo o drama. É uma canção sobre as veias abertas da América Latina.

O Drama da Humana Manada

A ideia surgiu de uma pixação que vimos num muro perto da Central do Brasil, aqui no Rio: “Malandro é o cavalo marinho, que se finge de peixe pra não ter que puxar carroça”. Assimilamos o recado e pensamos que daria um bom samba de breque.
Uma música contra a exploração e a alienação do trabalho, contra a falsidade do discurso da meritocracia, contra a reforma trabalhista, contra a reforma da previdência, um chamado pra greve geral, pela redução da jornada de trabalho…
Enfim, um samba abordando esse drama, essa luta que se faz urgente no atual contexto de precarização da vida.

Carlos e Tereza

Nessa faixa, celebramos a memória de um outro casal. Dois personagens históricos que, em tempos e contextos diferentes, batalharam e deram a vida na luta contra os absurdos vigentes. Na parte musical, foi uma tentativa de voltar a trilhar os caminhos do axé, da swingueira e do pagodão baianos, tentando nos atualizar diante das linguagens mais contemporâneas desses gêneros.

O Monge e o Executivo

Uma homenagem à capa de um dos discos mais fundamentais da nossa formação (Rage Against the Machine), sendo lida sob a perspectiva do capitalismo zen, desse falso orientalismo, empreendedorismo samurai, espiritualidade new age e todas as formas de autoajuda empresarial. Chamamos a Helen Nzinga pra fazer um rap no meio disso tudo e puxar as pessoas “elevadas” pro chão. Gabriel Ventura também foi chamado, com a missão de expressar uma pessoa em chamas através dos sons da guitarra.
Uma canção sobre a gratidão, trazendo a lembrança de que, sem justiça, não há paz.

Chama Negra

Quando pensamos no conceito do disco, na ideia do fogo, nos lembramos dessa canção da Rachel Barros. Tínhamos tido contato com a música em outra situação e achamos que ela trazia uma outra perspectiva sobre o tema, um outro olhar, que não saberíamos dar, mas que agregava algo fundamental nesse conjunto de canções sobre fogo e luta. Daí pedimos à Rachel pra gravarmos a música e a convidamos para cantá-la no disco. O arranjo foi feito em parceria com a Aline Gonçalves, que fez toda a parte de sopros/percussão. A Aline trouxe a linguagem do festejo peruano e o resultado foi uma ponte entre a música afrobrasileira e a afroperuana.

Trovoada

É uma canção inspirada pela poesia de Elaine Freitas e pela força do jongo.
Contamos com as participações de Nina Rosa e Thiago Kobe, que, além da participação fundamental como músicos e intérpretes, também nos ajudaram nas discussões sobre a letra. Também contamos com a colaboração fundamental da Ingra da Rosa que, além de fechar a canção com sua poesia, acabou nos levando até o Rafa Éis, autor da capa e das artes do disco.

Incêndios

Melancolia tangueira em forma de hardcore pra levantar o questionamento sobre a necessidade individual e coletiva de dar um passo atrás, de não seguir reproduzindo a desgraça. Inspirações no disco “Il pleut sur Santiago” de Astor Piazzola, no filme “O Ódio”(la Haine), na poesia de “A Rosa do Povo” e no poeta paulista Lucas Bronzatto. O baixo dessa faixa foi gravado pelo Patrick Laplan, produtor musical do disco.

(escute a faixa a partir de 41:00)

Ficha técnica do disco Memórias de Fogo
Gravação: Tomás Alem (Estúdios Toca do Bandido e MK Estúdio) e Patrick Laplan (Estúdio Fazendinha) no Rio de Janeiro/RJ
Mixagem: Tomás Alem no Estúdio Aura (exceto “Chama Negra”, mixada por Gustavo Loureiro) Produção Musical: Patrick Laplan, Tomás Alem e El Efecto
Produção Executiva: Iuri Gouvêa
Masterização: Robert Carranza, em Los Angeles, CA – EUA
Composições: El Efecto (exceto “Chama Negra”, composta por Rachel Barros e arranjada por Aline Gonçalves e El Efecto).
Direção de Arte: Rafa Éis e El Efecto
Projeto Gráfico e Desenhos: Rafa Éis

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