Literatura

Na padaria

Na padaria_P2
imagem: Cassiano Rodka

Na padaria, o cheiro do pão novinho faz o mundo parar de girar por uns instantes. No vidro do balcão, o reflexo de um sorriso encontra a bomba de ganache. O ruído da máquina moendo o café é música para quem quer que passe. Na gritaria entre os atendentes, uma chuva de deleites. Se não tem mais mesa vazia, no balcão há sempre espaço.

Na padaria, o amargo da vida se perde por entre os doces. O avô conversa com os netos inquietos, cuca cheia de açúcar. A moça flerta com o telefone, luz azul brilhando em seu rosto. A atendente não anota os pedidos, os carrega na mente. Os colegas de trabalho reclamam – é claro – do chefe. O escritor, como bem lhe cabe, observa.

Na padaria, o relógio deixa de funcionar por uns minutos. Ali, o tempo não se perde, se encontra. Mesmo que não dure (como nada dura), cada segundo é confeito. E amassa o papel do doce, sorve o último gole da taça e a moça recolhe o prato.

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