Música

As inesquecíveis canções esquecidas de Mike Patton & Uri Caine

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O mestre dos mil projetos, Mike Patton, surpreendeu todo mundo ao anunciar que faria dois shows apenas com piano e voz. A convite do festival de música experimental italiano Angelica, o cantor preparou duas apresentações ao lado do pianista nova-iorquino Uri Caine e chamou a performance de Forgotten Songs. 

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O interessante é que o espetáculo não faz parte da divulgação de nenhum projeto em específico, o que acabou funcionando como uma noite despretensiosa, incluindo covers de artistas que influenciaram a carreira dos dois músicos. Assim, os setlists trouxeram composições instrumentais de piano mescladas com os mais diversos nomes da música mundial, já que Patton é um cara versátil pra caralho. 

Entre as covers já executadas anteriormente por Patton estavam três faixas do Mondo Cane: “Scalinatella”, “Storia D’Amore” e “Una Sigaretta”. Da época em que tocava com o saudoso Mr. Bungle, duas covers foram resgatadas: “The Thrill Is Gone” e “Begin the Beguine”. Mas o melhor mesmo foi ver ele cantando novamente uma música da própria banda, extinta há 18 anos. A faixa escolhida foi a balada “Retrovertigo” e sua execução se destaca por ser muito raro assistir Patton tocar uma canção de um projeto seu que não seja com a banda que gravou originalmente a música. Algumas poucas vezes em que ele fez isso foi ao cantar “Malpractice” (do Faith No More) com o Dillinger Escape Plan e “Anger Management” (do Lovage) com o Peeping Tom. 

A música produzida na América Latina, é claro, não ficou de fora. Patton é sempre recebido de braços abertos no continente e sua paixão pelo nosso cancioneiro não é novidade. Assim, o cantor soltou o gogó em uma bela interpretação de “Vuelvo al Sur” do argentino Astor Piazzolla, usou seu peculiar vocabulário onomatopaico para desempenhar “Malagueña” do cubano Ernesto Lecuona e revisitou “Que He Sacado con Quererte” da chilena Violeta Parra, que já havia cantado algumas vezes ao lado do Faith No More e do Mondo Cane. 

Entre as covers inusitadas, destacaram-se a versão piano bar do clássico do thrash metal “Raining Blood” do Slayer e a performance de “Heaven on Their Minds”, faixa entoada por Judas no musical “Jesus Christ Superstar” de Andrew Lloyd Webber. 

Além do Slayer, banda sempre citada por Patton como uma grande influência, outros dois artistas que Mike diz terem despertado seu gosto pela música durante a adolescência foram incluídos nos setlists: Elton John na cover de “Better Off Dead” e Stevie Wonder na belíssima interpretação de “They Won’t Go When I Go”. 

Mas um dos grandes destaques da noite acabou sendo a primeira execução pública de “Chansons D’Amour”, uma canção inédita que estará em um disco de baladas orquestradas que Patton está gravando com ninguém menos que Jean-Claude Vannier, arranjador de cordas de Serge Gainsbourg. 

Não se sabe ao certo se Forgotten Songs permanecerá como duas belas noites esquecidas no tempo ou se Patton fará algo com o material apresentado nos shows. Prensa um disquinho duplo aí pra gente, tio! 

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