Literatura

Eu não me lembro

Eu não me lembro_P2
imagem: José Calimero

Eu não me lembro de encontrar semelhanças entre eu e você.
Eu me lembro de procurar correspondências entre nossos corpos, pois é aí que elas se dão, quase sempre.
Mas foi nos lugares menos aparentes que te encontrei em mim.
Nos meus pés após o banho, que é quando eles ficam mais esbranquiçados, aproximando-se assim da cor alva dos teus.
As cores nos separaram desde o princípio, como a água do vinho.
Nossa paridade é exigente.
Acho melhor assim, não me ver em você com os olhos, e não encontrar nossas equivalências nos traços do rosto. Gosto de não sermos explicitamente análogos. Aprecio o esforço da busca e sua recompensa.
Me aproximo de você pela ideia e sigo te acompanhando com a palavra – par a par.
Compreendo o seu silêncio tanto quanto seus sons, e me uno a você em ambos.
Eu me lembro de gostar de repetir a palavra “irmãos”, e a repeti até a compreender desnecessária. A repeti enquanto te amadurecia dentro de mim.

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