Música

L7 em São Paulo: elas voltaram para incomodar!

L7emSP_IMG_6960_1024
foto: Cassiano Rodka

Se você não estava no show do L7 neste último domingo, você estava no lugar errado. Um dos ícones da era grunge, a banda chegou quebrando paradigmas ao juntar quatro mulheres que tocavam rock pesado, provando que o gênero não era exclusividade dos homens. Debochadas, determinadas e talentosíssimas, Donita Sparks, Suzi Gardner, Jennifer Finch e Dee Plakas fincaram sua bandeira feminista em área masculina, levantando questões de igualdade, liberdade de escolha e direitos da mulher. No dia 2 de dezembro, o quarteto mostrou que ainda tem muito a dizer e muita energia para se fazer ouvido.

A noite começou com os shows de duas bandas paulistas. A novata Deb and the Mentals mandou uma apresentação bem bacana tocando as músicas de seu primeiro disco, “Mess”. Mesmo não sendo conhecida do grande público, empolgou. Já a clássica The Pin Ups teve a sua apresentação prejudicada por problemas de som. Estava tudo estouradaço e, por alguma razão, esse erro não foi corrigido ao longo do show. Uma pena, uma banda legal que não conseguiu mandar seu recado direito.

A primeira atração internacional foi o Soul Asylum, anunciada como banda surpresa poucas semanas antes do concerto. Com seu folk rock noventeiro, o grupo fez um show bacaninha mesclando os clássicos da era grunge com músicas de seus novos discos. Achei que o setlist poderia ter sido mais enxuto e direto ao ponto, mas a banda conseguiu divertir os presentes com hits como “Misery”, “Somebody to Shove”, “Black Gold” e “Runaway Train”.

Esquentados os tamborins, era chegada a hora das rainhas do grunge subirem ao palco. Como de praxe, iniciaram a bagunça com “Deathwish”, clássico do disco “Smell the Magic”. Curiosamente, é a mesma canção que abriu o último show da banda no Brasil, na épica apresentação da banda no Hollywood Rock de 1993, há 25 anos. Logo depois, mandaram três singles em sequência: o hit que não aconteceu na época, “Andres” (Donita declarou que elas esperavam que fosse o “Smells Like Teen Spirit” do L7, mas não vingou) e dois clássicos do disco “Bricks Are Heavy”, a empoderada “Everglade” e o romance entre parceiros no crime de “Monster”. A casa veio abaixo.

A partir daí, o set percorreu todas as fases da carreira do L7, com exceção do homônimo primeiro álbum. O último lançamento antes da banda acabar, “Slap-Happy” de 1999, foi representado por apenas uma canção, “Crackpot Baby”, o que foi mais do que justo, pois, convenhamos, não é lá um grande disco. Para minha felicidade, duas faixas do subestimado álbum “The Beauty Process” tiveram espaço no set: o rockão arrastado de “Must Have More” e a debochada “Drama”.

Entre uma música e outra, rolavam brincadeiras com o público. Uma das mais recorrentes era sobre a beleza do povo brasileiro. “Estou tentando tocar guitarra, mas vocês estão me distraindo”, declarou Suzi Gardner. As duas músicas novas, “I Came Back to Bitch” e “Dispatch from Mar-a-Lago, encaixam muito bem no repertório ao mesmo tempo que trazem um novo sabor. Com um vocal meio rap, “I Came Back to Bitch” leva a banda para o território do hip hop e traz uma letra bem humorada que esclarece a intenção do retorno do L7: “nós voltamos para incomodar!” Para fechar o set, nada melhor que a preferida de Mallory Knox: “Shitlist”, um verdadeiro hino à – como dizer? retribuição adequada a cada um dos filhos da puta que foderam com a tua vida. É de lavar a alma!

L7emSP_IMG_6953_1024.jpg
foto: Cassiano Rodka

No bis, a banda retornou com a sua cover de “American Society” (do grupo punk Eddie & The Subtitles), cujo riff lembra muito o grande hit do L7, “Pretend We’re Dead”. Colocar as duas em sequência parece lógico, mas acho que não funcionou muito bem, até porque confundiu várias pessoas que começaram a filmar a cover pensando ser o single da banda. (Ok, foi engraçado!) De qualquer forma, foi ele quem veio em seguida, fazendo todos cantarem em uníssono um dos grandes hinos do feminismo.

Para encerrar com chave de ouro, a furiosa “Fast and Frightening” veio atropelando todo mundo. Nada de terminar com música calma, o show foi um rolo compressor do começo ao fim. O público respondeu à energia da banda o tempo inteiro, sem descanso. Ao sair pelas portas do Tropical Butantã, o que eu mais ouvia era “eu queria outro show desses agora mesmo!” E era exatamente o que eu estava sentindo.

L7emSP_IMG_6971_1024
foto: Cassiano Rodka

SETLIST:

Deathwish

Andres

Everglade

Monster

Scrap

Fuel My Fire

One More Thing

Slide

Crackpot Baby

Must Have More

Drama

I Came Back to Bitch

Shove

Freak Magnet

(Right On) Thru

Dispatch From Mar-a-Lago

Shitlist

Bis:

American Society (Eddie & The Subtitles cover)

Pretend We’re Dead

Fast and Frightening

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s