Música

Melhores de 2018

melhoresde2018

Neste ano, houve muitas bandas alternativas brasileiras tocando nas minhas caixinhas. É incrível como tem surgido excelentes artistas no nosso underground nos últimos tempos. Dizem que, em épocas sombrias, a arte ressurge com mais força. Portanto, 2019 que aguarde, pois vai ter muita música e resistência, sim!

El Efecto – Memórias do Fogo

Facilmente o melhor disco de 2018! Em “Memórias do Fogo”, a banda carioca fez seu mais completo manifesto. Um verdadeiro chamado à resistência, o disco expõe as feridas do Brasil abordando temas como racismo, escravidão, apropriação e ditadura. O álbum conta com várias participações especiais que só agregam à ideia de comunidade e união. As composições e arranjos do grupo são verdadeiras esculturas sonoras e a performance dos músicos ao vivo é impecável. Obra prima!

Kaada – Closing Statements

Um disco sereno e cheio de silêncios, “Closing Statements” tenta evocar os sentimentos de diferentes pessoas que se encontram à beira da morte. Pegando inspiração em frases que teriam sido ditas por homens e mulheres antes de seu derradeiro adeus, o compositor norueguês criou uma seleção belíssima de melodias. Usando apenas pianos e sintetizadores, o músico evocou Erik Satie em canções simples e emotivas.

Jamie Saft – Solo a Genova

O pianista Jamie Saft, que costuma se apresentar com trios ou quartetos, andou experimentando alguns shows solo. As apresentações intimistas acabaram agradando o nova-iorquino e o registro de um concerto em Gênova foi lançado neste ano. As canções incluem diversos artistas que influenciaram o músico, como Bob Dylan, John Coltrane, Stevie Wonder, Miles Davis e – sim! – ZZ Top!

Therapy? – Cleave

Em seu 15º álbum de estúdio, os irlandeses do Therapy? apostaram suas fichas naquilo que eles fazem melhor: canções curtas com bons riffs e refrões altamente cantáveis. “Cleave” é um disco que te esclarece que tu tem todo direito de estar puto da cara com o mundo e que é preciso unir forças para lutar e provocar mudanças. As faixas são curtas e agressivas, e as letras apontam o dedo na cara dos problemas mundiais, confidenciando ao ouvinte que ele não está só em sua frustração. Música adolescente para adultos!

Vento – Verde

Conheci o pessoal da banda na Belas Artes e, desde que escutei o primeiro single, “Ela Me Disse”, fiquei interessado no que viria pela frente. Com o lançamento do disco “Verde”, pude confirmar que o grupo é uma força a ser seguida. Pegando o indie rock contemporâneo e pintando com tons de verde que vão do samba ao baião, o grupo compôs uma seleção de canções memoráveis com belos arranjos e uma produção caprichada. Ao vivo, os caras não deixam por menos e mandam bem pra caralho! Presenciem!

Heart-Shaped Tracks – A Soulful Tribute to Nirvana’s In Utero

Um tributo aos 25 anos do “In Utero” do Nirvana feito só por bandas alternativas brasileiras. Cada faixa do clássico álbum foi recriada em versão soul por artistas como Lemoskine, Letrux, Michele Mara, Naked Girls and Aeroplanes e Bananeira Brass Band. “Heart-Shaped Tracks” é um projeto ousado que poderia facilmente ter dado errado, mas, nas mãos criativas de grandes artistas do underground brasileiro, o disco se tornou uma homenagem inusitada e repleta de bons momentos que não devem nada às versões originais.

Donny McCaslin – Blow.

O que dizer de um músico que foi escalado por David Bowie para fazer parte de seu último disco? O saxofonista Donny McCaslin tem um trabalho solo interessantíssimo e, assim como o camaleão do rock, inclassificável. Em seu mais recente disco, o compositor levou seu som para um terreno novo e inexplorado. Contemporâneo e com ar futurista, o álbum casa jazz, rap, eletrônica e rock em canções que soam à frente de seu tempo. O próprio músico declarou que, neste disco, ele sentiu-se mais livre do que nunca para compor e que seu contato com Bowie teve muito a ver com essa autonomia.

Young Fathers – Cocoa Sugar

Uma das bandas mais interessantes a surgir nos últimos tempos, o trio escocês Young Fathers criou um som próprio que consegue conectar o pop ao experimentalismo com maestria. Não é nada fácil compor músicas esquisitas e assobiáveis ao mesmo tempo, mas em “Coca Sugar” o grupo faz parecer fichinha. Os instrumentais são minimalistas e mesclam influências de hip hop e eletrônico, com muitos sintetizadores. Os vocais do trio se dividem em deliciosas melodias soul e momentos de rap, e creio que são a grande conexão da banda com os seus ouvintes. Não bastando a excelência no estúdio, a performance dos caras ao vivo é uma experiência e tanto!

Trupe Chá de Boldo – Verso

Tecnicamente esse álbum é de 2017, mas ele foi trilha sonora constante deste meu ano. Depois de lançar três discos autorais com canções festeiras, arranjos muito bem bolados e letras ora poéticas, ora debochadas, a banda resolveu prestar homenagem a alguns de seus artistas preferidos em um álbum de versões. O bacana é que as escolhas não são nada óbvias, dando preferência a músicos novos e/ou desconhecidos do grande público. Tive a felicidade de assistir dois shows dessa turnê e aviso a quem nunca foi: os caras no palco são diversão pura, não percam!

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