Comportamento

Do desapego

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imagem: Cassiano Rodka

Se realizar uma mudança já nos faz pensar no que a gente tem, imagina quando vamos para outra cidade. Adicione a isso o fato de que você está indo para uma casa montada, ou seja, aquelas canecas todas que você tem (e até gosta) não terão utilidade alguma. Esse foi o meu dilema em 2018 ao me mudar de Santa Maria para a casa da minha irmã em Porto Alegre. Então eu tentei vender tudo, estilo garage sale mesmo, abrindo a casa e colocando preço nas coisas. Me dei o título de A DESAPEGADA e me enchi de orgulho.

Mais ou menos na mesma época, mozão estava se mudando também, mas para Europa. Pensa em tudo que cê levaria para começar a vida em outro país. Tudo que pode ser necessário e não pode deixar no Brasil, como documentos e aqueles livros essenciais. Roupas para todas as ocasiões, lembranças. Ele juntou tudo isso e foi com… uma mala, uma mochila e o computador. UMA mala. E eu, ~a desapegada~, precisei de três viagens de carro para trazer tudo de Santa Maria. Dá mais que tá pouco, amore.

Essa surra serviu para eu perceber que eu estava recém engatinhando. Foi uma super vitória pessoal, mas ainda tinha muito que aprender sobre desapego. Assisti, então, o documentário Minimalism (tem no Netflix!) para aprender com os outros. É óbvio que o doc é uma promoção do livro dos caras em vez de uma mega investigação sobre o tema, mas gente… Um dos autores viajou em uma turnê de oito meses com uma mala de mão. UMA. MALA. DE. MÃO. Só por esse momento chocante já vale a pena.

O problema dessas reflexões todas é que, nesse final de ano, as caixas de entrada e de spam totalmente lotadas com propagandas me irritaram mais que o normal. Profundamente, eu diria. Cara, é que a quantidade era absurda! Todos os dias, dezenas de e-mails anunciando coisas que eu não preciso, e é melhor eu nem olhar porque vou acreditar cegamente que não posso viver sem aquilo. E o shopping, então? Ódio mortal, antro do consumo, tudo impessoal. Só que isso evoluiu para “mãe, pra que tu vai me dar presente? Eu nem tenho onde colocar as coisas!” e aí acho que foi longe demais. Paciência, e não desistam de mim, eu estou aprendendo. Buscando o equilíbrio.

Mas o importante é que repensei as minhas compras, os presentes e o próprio espírito de Natal. Foquei muito mais na mensagem e no significado, no ato de presentear em si, do que na coisa. Por exemplo, presenteei um vídeo, uma arte e um livro que eu fiz. Ganhei postais, uma carta linda e coisas que eu realmente vou usar. Entendi que o desapego não era um ato, e, sim, um modo de ser no mundo; ele não quer dizer ter absolutamente nada, mas, sim, ter coisas que realmente tenham valor. Que 2019 seja de mais desapegos para nós, inclusive nas relações.

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