Literatura

No manguezal 

No Manguezal.jpg
imagem: José Calimero
 
– Como o mangue fede, mãe… tá podre?
– É o cheiro da morte das folhas, das raízes e dos insetos. 
– E por que morrem, mãe?
– Pra dar lugar a outras vidas. No mangue, nascer não existe sem morrer primeiro.
– Quem nasce? 
– Nascem outras plantas, com raízes que levitam como estas. Nascem seres de todos os tons, do marrom ao vermelho. Eles crescem cavando a lama, dia e noite, perfurando milhares e milhares de vezes para construir suas casas.
– Por que eles têm que construir milhares de vezes?
– O mar sobe e alaga toda a construção. O mar desce, e eles recomeçam. 
– Não cansam?
– Não se dão conta que cansam, vivem para cavar.
– Mas o mangue fica no rio ou no mar? 
– Ele fica entre o mar e o rio. Não é nem só mar, nem só rio. Precisa do encontro do salgado do mar e do doce do rio pra viver. 
– Entendi, o mangue é um pouco mãe.

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