Comportamento

Do show III ou Da força

Do show III ou Da força_P2
imagem: Cassiano Rodka

Fui ao show do Fuerza Bruta e ele me mobilizou. Se você não quer saber o porquê, pare de ler agora. JÁ! Se você não se importa com spoilers, vou contar um pouco sobre o que vi lá e que não me deixou dormir.

Quantas vezes a gente morre em um dia e segue correndo? Era isso que eu pensava ao ver o homem correndo em uma esteira, sendo atingido por obstáculos, desviando de pessoas, recebendo tiros que o faziam sangrar e ainda correr. A força da resiliência, da sobrevivência que nos faz seguir adiante. Aquela força que até nos emociona ao pensar “como consegui passar por isso?”, mas que também nos faz naturalizar cotidianos tão duros. Ainda bem que a força da alegria veio logo depois. A energia de uma dança, da extroversão. Dançar loucamente, gritar, interagir, se abrir para o mundo e entrar num estado de comunhão com completos estranhos. Amo/sou.

Então, a força da leveza. O movimento na água tão leve acompanhado de uma música quase infantil. As dançarinas sorrindo, como que brincando numa ciranda. Mas isso é força? Ô se é! Força não é somente sobre agressividade, poder. É força também a sensibilidade, tantas vezes interpretada como algo negativo em uma sociedade que falsamente se diz analítica, baseada em fatos e coerente. Mas essa força logo se transformou: os corpos que dançavam suavemente passaram a se chocar com a piscina, proporcionando sons e sensações completamente diferentes dos anteriores. Na verdade, o show todo trazia isso: o corpo como potência, como instrumento que nos permite explorar o ambiente, as sensações, a vida.

Não sei se era essa a intenção do show ou a interpretação de quem o concebeu. Sinceramente, não sei se quero saber – pelo menos por enquanto. Ainda estou processando como essa experiência me atingiu e me fez questionar se estamos realmente usando toda a nossa força ou se estamos nos contendo na nossa existência. Estou aqui, escrevendo quase desconexamente sem saber qual o objetivo desse texto, mas esse ímpeto da escrita também é força e me fez transbordar. Estou aqui, pensando que forças me conectam a esse mundo, quais me movem, quais me freiam. E nesse cálculo do somatório das forças, estou aqui questionando se estamos medindo esforços ou permitindo ser tudo o que podemos. Obrigada, Fuerza Bruta.

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