Quadrinhos

Contos dos Orixás

             A CCXP 2018 não foi a minha primeira convenção de quadrinhos, mas foi bastante especial. Além de ter assistido palestra com a lenda John Romita Jr, eu estava com o meu amigo e parceiro Cassiano Rodka, e ter alguém para dividir as coisas com a gente sempre torna tudo mais interessante.

                Apesar dos divertidos stands das grandes produtoras, o que mais me chamou a atenção dessa vez foi o Beco dos Artistas. O Artist’s Alley da CCXP nos dá a oportunidade de conhecer a produção nacional de quadrinhos e, acredite: tem MUITA coisa boa sendo feita no Brasil. Tem muita gente, do interior gelado do Sul ao litoral aprazível do Nordeste, da selva urbana paulista ao verde do coração da Amazônia, fazendo quadrinhos. A convenção nos dá a chance não só de conhecer um mundo de trabalhos, mas também de conversar com os próprios autores, escutá-los falando a respeito de suas obras e ver aquele brilho no olho de quem fala sobre algo que gosta muito.

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Hugo Canuto e seu Xangô (imagem tirada daqui

               Foi pulando de cabine em cabine que eu cheguei até o Hugo Canuto. Ele é um quadrinista baiano que pacientemente conversava com alguém que tinha comprado MUITAS edições da mesma HQ dele enquanto as autografava. Fiquei esperando a minha vez. Eu gostaria de ter conversado mais com ele, mas a timidez me impede. Então elogiei o trabalho, comprei a minha cópia e disse que tinha visto o projeto na internet faz algum tempo. Ele agradeceu, muito gentil, autografou e se despediu.

                O projeto ao qual eu me referia é a graphic novel “Contos dos Orixás”, que foi financiada via Catarse durante o ano de 2017. O projeto teve origem numa ilustração de Canuto que teve por base uma capa clássica de “Avengers”. A imagem substituía os heróis da Marvel pelos orixás da cultura afro-brasileira. A partir daí, Canuto ficou conhecido na internet e começou a transformar aqueles primeiros esboços numa tentativa de contar as histórias épicas da mitologia afro-brasileira na linguagem das graphic novels.

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A releitura/homenagem de Canuto e a original do mestre Kirby

                “Contos dos Orixás” se pretende um primeiro volume, e torçamos para que venham mais. O material é resultado de uma imersão do quadrinista no universo das religiões de matriz africana. As referências caprichadas estão presente em toda a HQ. Já nas primeiras páginas, onde conta a história da origem do mundo, as referências para os desenhos são estátuas ioruba, uma das mais importantes vertentes da cultura afro-brasileira na Bahia. A narrativa de Canuto é bastante sólida e seu traço tem uma inspiração bem clara na arte do mestre Jack “The King” Kirby, em especial no trabalho de Kirby com os Novos Deuses na DC.

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Exu, o mensageiro

                A história coloca como protagonistas os próprios orixás: Xangô, Exu, Oxóssi e Ogun, entre outros, vão aparecendo e se revelando, aos poucos, durante a história. A caracterização de cada um deles, tanto na imagem quando na essência, nos mostra o quanto o trabalho de pesquisa de Hugo Canuto foi bem feito e, mais que isso, feito com paixão.

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Ogun e suas duas espadas

                Nos resta aguardar por um terceiro, um quarto e muitos outros volumes dos Contos dos Orixás. Certamente material de inspiração não vai faltar na rica e vasta cultura afro-brasileira para Hugo continuar nos encantando.

PS: caso você tenha se interessado, você encontra mais informações sobre Contos dos Orixás e Hugo Canuto em hugocanuto.com

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