Literatura

Tatuagem

imagem: Isabel Dall’Agnol

Sinto falta do quarto
de paredes verdes.
De saber que
eles estavam.
E elas,
também.

Sinto falta do gelado,
batendo nos dedos dos pés,
quando era início de primavera.
E das fotografias
no mural.

Sinto falta do brando,
deitado na cama.
Da pipoca doce
entre as mãos.
E dele…
Indo e vindo…

Sinto falta
da música.
Da fantasia.
Do sonho.
E do tempo…
O tempo…

Sinto falta daquele
cinema.
E dos desatinos.
E do compromisso.
Na constante
da constância.

Sinto falta
daquele eu.
Eu que fazia.
E dizia.
Eu que
me despia.
Eu que
me mirava.
Eu que
me valia.

Sinto falta
do silêncio.
E do barulho.
Daquele barulho.

E da calmaria da alma
jogada no tapete.
Dos planos coerentes
e incoerentes.
Do desenho
borrado.
Da imagem
que beijava o espelho.

Sinto falta
de mim.
De ti.
De nós.
Deles.
Delas.
De todos.
De tudo.

E, eu,
aqui.
Refúgio.
Isolada.
Atirada.
Tapada.

Descobri a
descoberta.
Paciência.
É pouco.
Mas ainda vai…

E o tesouro?
O desejo?
O medo…

O maior
dos amores…
Que me sugou
a alma…
E derreteu
a insanidade…

Ele que mudou
o tempo.
Ele que tudo
faz mexer.

Ele é o tudo!
Misturado.
Molhado.

Excita.
Invita.

Descobre
e cobre…

É lama
na cama.
O seco
em balde.
O sentido
sem sentido.
Me preenche.
Me esvazia.
Sou sua.

Pássaro.
Sempre
será.

Presa em ti.
Liberto
em mim.
Somos dois
em um só?

Eterno.
Cicatriz.
Tatuagem.
Não tem fim
este fim.

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