Literatura

Churrasco

foto: Isabel Dall’Agnol 

Ao meu querido tio Tonico, que me ensinou muito sobre o churrasco e deixou seu sabor em todos os outros que experimento.

Luz apagada.
E a menina canta
por sua mãe
de dentro do saco
daquele velho
que mete medo.

E a formiga,
que foi malcriada,
teve qual fim
no fim?

Silêncio no
fundo do mar.
E como é que ele
consegue aguentar?

E os beliscos…
No meu nariz.
Nos seus dedos.

Dedos que
balançam.
Dedos que
dançam.
Dedos que se
encontram.

A gargalhada
é alta mesmo.
E o escambau.
São histórias
e historietas.

Ele sempre
preenche.
E se faz
presente.
Ainda quando
ausente.

Porque a carne
ainda pinga.
No fogo,
que arde.
Na cinza,
que invade.
Na noite,
embaixo das uvas.
No dia, em
uma garagem.
Em um salão.
Em um saguão.
Em todo canto,
mesmo de canto.

Sim, o cheiro
do assado…
É o aroma
que nos une.
Para sempre.

E que vejo.
Em mim.
Naquela
criança.
E nesta
também.

É o espelho.
Dele.
É aquele
que sempre,
para sempre,
se fará
em mim,
presente,
por sua presença,
ainda que ausente.

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