Literatura

Ao vento

imagem: Cassiano Rodka

A todos os que foram levados por esta triste pandemia.

A Bob Dylan

“…how many deaths will it take ‘til he knows
That too many people have died?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind”

(Bob Dylan, “Blowin’ in the wind”)

Fujo do mundo,
Volto em breve,
Quando finita a pandemia,
Assim que terminado o descaso,
Eliminada a ignorância e a negação,
No instante em que estiver extinta
a ausência de amor
e de empatia.
Retorno quando o ar estiver mais cálido e leve,
No momento em que o respeito
ao essencial do humano estiver preservado,
Quando todas e todos
soubermos de novo o que significa sentir e amar,
Quando aprendermos a calçar dos outros os sapatos,
Quando as palavras não sejam só
Meras ideias
sopradas ao vento.
Quero recolher as palavras,
Unir todos os suspiros,
Costurar as súplicas,
E registrar as memórias dos que se foram,
Desenhá-las em um poema,
Fazer dele um hino,
E então viajar até o mar,
Marcá-lo na areia,
E deixar que as ondas selem
todos os nossos destinos:
Poéticos,
Ou não.

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