Literatura

O tempo da vida

Ilustração: Ana Nitzan

Enquanto criança, eu gostava
de observar os mistérios banais.
Eram pequenas descobertas do dia-a-dia.
A vida era um deleite somente em existir.
Como quando eu olhava pela fresta da janela,
pela manhã,
A luz entrava engraçada,
como se fosse um pedaço ou algo de se tocar.
E em seu trajeto fazia um belo desenho geométrico,
da fresta até o chão.
E continha aquele trecho materializado de luz
milhares de partículas brilhantes,
que revoavam sem parar.
E eu pensava se aquilo era o que formava o mundo
“Ou até eu mesma, quem saberia, meu Deus”.
E, Deus, ele também poderia ser aquela “poeirinha”
que tanto se mexia na luz de pegar.
Algo me afligia e angustiava.
Eu não entendia.
Era um sentimento grande de inquietude que me tomava.
Era notar as coisas pequenas,
e divagar até alcançar questionamentos maiores.
Surgiu, assim, a consciência de minha incompreensão.
Então, eu desejei crescer e aprender.
Eu lia todas as histórias, todos os mitos, todos os livros.
Ainda só, busquei por diversas companhias,
que, em sua maioria, eram aventuras divertidas.
Ou grandes desilusões.
Mas ainda assim não deixava de pulsar
aquele algo que imanente, latejava dentro de mim.

E percebo que nada descobri,
já que não sei aqui me explicar.
Mas, percebi esses dias, enquanto observava
a luz pela fresta da janela,
que me senti um tanto em paz.

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