Literatura

“Desculpe, eu não te avisei sobre o mundo”.

Foto: Vanilson Coimbra

Eu nasci tantas vezes, sempre do avesso do meu puro. Sempre no final
de todas as minhas emoções, eu nasci assim. O tanto não era o
bastante, e eu era tão ilimitada, tão fluida, que me choquei com as
bordas das demais existências.
E nessas bordas eu compreendi o inacessível e o calabouço de quem
gostava de sonhar. Porque, se eu voasse e você não conseguisse alçar
do chão comigo, eu ficaria por terra procurando uma maneira de trazer
o céu. Mas, não me bastavam as asas estranhas, já que eu era humana
e sangrei lá no fundo quando você não quis ousar.
Vaguei um tanto na poeira, foram muitos os sertões solitários que
descobri. E lá, naquele silêncio árido, eu entendi alguma beleza finita.
Eu vi alguns sonhos acordados e duros. A lágrima mais humana, caída,
queria brotar no estéril. Eu já era antiga, e tão nova aprendi.
E se eu conseguisse dizer, novas palavras na natureza se perderiam

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