Literatura

Holocausto

Foto: Isabel Dall’Agnol

Fico com a
imagem.
Do povo.
Da fome.
Da miudeza.
Fecho os meus
perturbados olhos.
Eu revejo.
Eu revisito.
A memória, que
me soluça o peito
e me embaraça a alma.
E eu tento entender.
Uma nação enfraquecida.
Um homem que vocifera forte;
ao contrário; um homem fraco
e uma nação fortemente seduzida.
Unida e conduzida:
à marcha da sua morte.
Estourando em
ópera do finito,
no seio de Wagner.
Quanto receio.
E a culpa!
E a dívida!
E a falta:
de fé.
de zelo.
de humanidade.
Milhares de silêncios.
Milhares de noites.
Milhares de securas.
Milhares de despedidas.
E sem falar no medo.
Este que, por si,
grita.
Mudo.
Ensurdecedor.
Quanta gente
sufocada?
Quanta gente
pelada?
Quanta gente
machucada?
Quanta gente
assolada, em
solidão?
Exílio este, que
nada finge.
Que nada separa,
ou repara…
Sequer,
dispara.
Deserto que
se perde…
Entre os olhares
amedrontados.
Entre mães, filhos
e pais.
E irmãos…
E de um povo
inteiro.
Que não detinha
de braços e abraços,
para consolar-se.
Uma vez que a esperança
derramada estava…
Povo que já não sabia
chorar.
Ou andar.
Que tremia desejo.
Sangrava desespero.
Em seco.
Em caos.
Em sujeira.
Em miséria.
Em ausência.
Ausente,
simplesmente.
Povo,
que me dói mergulhar.
Povo,
que me faz pesar.
Que direção é esta,
que atravessa o juízo
e, até mesmo, a crença?
E se espalha, feito desídia,
em estado de fascínio?
Em circo.
As marionetes trocam de
fantasia, certeza e cor…
Mas o nome da peça é
sempre a mesma:
A ignorância tirânica.

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