Cinema

Há muito tempo atrás numa galáxia muito, muito distante…

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Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi (Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi, Rian Johnson, 2017)

                Desde o relançamento da saga Star Wars pelas mãos da turma do Mickey, dezembro sempre nos reserva um presente. Em 2015 foi o Episódio VII, trazendo elementos para renovar a franquia ao mesmo tempo em que trouxe de volta Han, Luke e Leia. Em 2016 veio Rogue One, que nos contou uma história linda e fechadinha, abrindo novas possibilidades. E desde o meio de 2017 acompanhamos os trailers, teasers e cartazes de “Os Últimos Jedi” (título que foi pluralizado no português, apesar do diretor ter dito em entrevista que “The Last Jedi” estava no singular, enfim).

                O filme começa onde o Episódio VII havia terminado: após a explosão da nova Estrela da Morte a Primeira Ordem, sucessora do Império, busca esmagar a Resistência que quer restaurar a República. Enquanto isso Rey parte em busca do recluso Luke Skywalker, que pode ter papel fundamental na luta contra a Primeira Ordem e ainda deve exercer o papel de mentor e prover a orientação que Rey precisa para compreender seus poderes e seu papel na trama toda. O filme traz de volta Oscar Isaac (Poe Dameron ), John Boyega (Finn) e Daisy Ridley (Rey) nos papeis principais reafirmando o positivo discurso pela diversidade que já estava presente no episódio anterior (ou você acha que é por acaso que uma mulher, um negro e um hispânico são os protagonistas?). Leia Organa, General, está bem estabelecida como a líder da Aliança, que após um ataque inicial bem sucedido (porem custoso) a uma frota imperial, se vê em maus lençóis.

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Rey e Luke: está na hora do novo substituir o antigo

                O encontro entre Rey e Luke era aguardado desde a cena final do filme anterior. Ela precisa entender o que está acontecendo com ela mesma enquanto ele reluta em treiná-la, em função de não acreditar mais na estrutura da Ordem Jedi, muito em função dos acontecimentos que transformaram Ben Solo em Kylo Ren. Enquanto Rey aprende mais sobre a Força e seus poderes, descobre também que tem uma conexão com Kylo, que ela prefere não dividir com Luke. A cena em que Luke explica para Rey o que é a Força é linda e sintética, esclarecendo para Rey (e para o expectador) a amplitude e a beleza do que é a Força. A jornada de autoconhecimento de Rey também passa por descobrir o seu passado, uma vez que ela não conhece os próprios pais (e desde o outro filme insinua-se que eles poderiam ter uma função na trama). A jornada de Rey passa pelos dois lados da Força, o que chega a assustar bastante Luke. Numa rima (dentre tantas) com “O Império Contra-Ataca”, Rey em determinado momento do seu treinamento entra numa caverna para lidar com o seu “lado escuro”. Ao olhar-se num espelho depara-se… consigo mesma. E a grande mensagem para Rey, que busca desesperadamente o “seu lugar nisso tudo”, é que quem vai fazer o seu destino é ela mesma.

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Poe Dameron e seu parceiro, BB-8

                Em paralelo a isso temos uma tensa perseguição entre naves da Primeira Ordem e o pouco que resta dos Rebeldes, com pouco combustível. A decisão do General Hux é por persegui-los até o fim da energia e pôr fim aos Rebeldes de uma vez por todas, o que parece meio inevitável nas circunstâncias apresentadas. Aí entra a impetuosidade de Poe Dameron, que bate de frente com a Almirante Holdo, que ascende ao controle dos Rebeldes após o ferimento grave da General Leia. Indo contra as orientações de Holdo, Dameron se junta ao amigo Finn e à nova conhecida, Rose, para bolar um plano suicida próprio que poderia salvar os rebeldes, mas dependia de encontrarem alguém capaz de danificar a nave do Supremo Líder Snoke de dentro, para que ela não fosse mais capaz de rastrear as naves rebeldes.

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Finn e Rose: ela o ajuda a entender o que é ser um heroi.

                Rian Johnson, o diretor, e JJ Abrhams, o produtor, tomaram algumas decisões que causaram algum desconfortos nos fãs mais xiitas (chatos) e com as quais eu concordo: para seguir adiante, é necessário deixar o passado para trás. É necessário quebrar regras. É necessário abraçar o novo. Não é a toa que, de maneiras diametralmente opostas, tanto Luke quanto Kylo tenham esse mesmo discurso. Em uma das cenas mais significativas do longa quem apoia essa tese é o próprio Mestre Yoda. Vários paradigmas e fórmulas recorrentes na saga são quebradas: planos DÃO errado. Hiearquias SÃO derrubadas. Personagens de moral dúbia não são bonzinhos por natureza. A distinção entre os dois lados da Força torna-se cada vez mais borrada. E a relação entre Rey e Kylo Ren fica muito, muito interessante. Eles se ajudam e se entendem (inclusive na melhor cena de batalha do filme), mesmo que seus objetivos sejam, cada vez mais, opostos. A relação de Kylo com Rey, aliás, nos ajuda a entender melhor o personagem de Adam Driver e o torna mais interessante (uma das queixas justificadas do Episódio VII era justamente isso).

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Luke e Leia: hora de dar adeus

                O filme é um filme de despedidas. Já sabíamos que nos despediríamos de Carrie Fisher, falecida no início do ano. A melhor homenagem que poderiam ter feito a ela foi feita: manter o seu papel de líder, de rocha sólida em torno da qual os Rebeldes se equilibram. A humanidade e a determinação da General Leia vão, sem sombra de dúvida ficar. A despedida é também de Luke Skywalker, o Jedi de uma geração. Se um grande herói pode se tornar uma lenda, a despedida de Luke é épica. Toda essa parte do filme rima com o Episódio IV, o primeiro Star Wars. O confronto entre Kylo e Luke lembra Darth Vader e Obi-wan Kenobi. E o pôr do sol, com a música… sim, rolou uma lágrima.

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Batalha de Crait: imagens espetaculares e inspiradas.

                Há cenas deslumbrantes. O combate final, no deserto de sal, é esteticamente irreparável. Há combates espaciais. Há tensão. Perseguição. Sabres de luz. Tem tudo que Star Wars tem que ter. Mas há uma ideia: para seguir adiante, devemos deixar o passado para trás. O melhor do filme é destruir qualquer expectativa em relação episódio IX. Eu não tenho a MENOR IDEIA do que pode acontecer, e isso é fantástico. Se havia uma preocupação quanto à renovação da franquia, ela ficou para trás. Que venha o Episódio IX, e tudo mais que vier!

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