Cinema

Os Incríveis 2 (2018)

5720930
A Pixar mira no coração. E, em geral, acerta.

                A empresa de animação que mudou o cinema para sempre desde o lançamento de Toy Story, em 1995, segue nos emocionando. É inegável que, desde a metade dos anos 90, as animações deixaram de ser “coisa de criança” para levar um público MUITO maior aos cinemas, e a Pixar tem papel central nisso. Tanto que a Disney, principal concorrente da Pixar, resolveu o problema em 2006, quando a turma do Mickey comprou o estúdio. Havia o medo de que as produções da Pixar ficassem mais “disneyzadas”, o que quer que isso queira dizer, mas não aconteceu. O pessoal do Seu Walt é esperto o suficiente para deixar o estúdio capitaneado por John Lasseter com plena liberdade criativa, tanto que o calendário de lançamentos da Pixar não foi modificado pós-aquisição e “Ratatouille” (2007), “Wall-E” (2008) e “Up! Altas Aventuras” (2009), todos apostas inéditas, foram lançados normalmente.

maxresdefault
Tudo começou em 1995 com Woody e Buzz.

                Um dos aspectos dessa liberdade criativa da Pixar se reflete na temporalidade bizarra das continuações dos filmes. “Toy Story 2” saiu em 1999, quatro anos depois do lançamento do primeiro. Mas “Procurando Dory”, por exemplo, a sequência do badalado “Procurando Nemo”, de 2003, só foi sair em 2016, treze anos depois. A Pixar faz uma aposta ousada: ela lança as continuações quando acha que valem a pena. Quando surge uma boa ideia que mereça ser filmada. A ousadia dessa aposta é que as crianças que viram o primeiro filme já não são mais crianças quando sai a sequência, mas até aí a Pixar SEMPRE apostou em animações para adultos também.

inciveis-presos-syndrome
Em 2004, os Incríveis foram desafiados pelo Syndrome.

                Um dos filmes mais queridos da Pixar, “Os Incríveis” foi lançado em 2004. O roteirista e diretor Brad Bird usou uma premissa antiga: o grupo de super-heróis que, na verdade, é uma família. As relações familiares fazem parte da trama tanto quanto o “heroísmo” em si. Poderia se dizer que o roteiro, nesse sentido, baseia-se no Quarteto Fantástico da Marvel (inclusive três dos quatro poderes são repetidos…), mas façamos justiça: nenhuma das versões cinematográficas do Quarteto feitas pela Fox conseguiu chegar aos pés de “Os Incríveis”. Talvez por isso a sequência tenha sido tão esperada, mesmo que tenha levado quatorze anos para sair.

the-incredibles-family
Eles estão de volta!

                “Os Incríveis 2” traz novamente Brad Bird (ex-animador da Disney que trabalhou em “O Cão e a Raposa”, de 1981) assinando o roteiro e a direção do longa. “Os Incríveis 2”, repetindo os clichês, é diversão para a família toda. O roteiro não é revolucionário, por vezes é até bastante previsível, mas funciona. O filme explora os personagens que já são bastante queridos do público: os protagonistas Beto, Helena, Violeta e Flecha, além de incluir os coadjuvantes que todos esperamos, como Gelado e a divertidíssima Edna Moda (dublada pelo próprio Brad Bird na versão original). Quem rouba a cena, dessa vez, é o bebê Zezé e a sua infinidade de poderes. A cena da luta com o guaxinim é antológica.

                “Os Incríveis 2” nos emociona e faz, como quase todos os filmes da Pixar, algumas discussões bem atuais e pertinentes. Quando Helena, a Mulher-Elástica, é escolhida para uma campanha de reabilitação dos heróis, Beto, o Senhor Incrível, tem que aprender a ficar em casa e cuidar dos filhos em tarefas básicas, como ajudar na tarefa de matemática de Flecha ou atender as “crises de adolescência” de Violeta. Os papéis de pai e mãe no mundo de hoje estão presentes ali, então, num questionamento bem interessante. Apesar de ser tecnicamente impecável, o filme de Bird não perde em humanidade, algo que acaba ocorrendo em várias animações computadorizadas. “Os Incríveis 2” não será o melhor filme do ano, mas com certeza vai dar um calorzinho no coração de quem estava morrendo de saudades desses personagens.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s